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Fotos de antes e depois: o que o CFM realmente permite (e o que fazer no lugar)

oucos assuntos geram tanta dúvida no consultório quanto a foto de antes e depois. Um colega garante que é proibido. Outro publica três por semana no Instagram.

A resposta costuma surpreender: o antes e depois não é proibido em bloco. A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite demonstrar resultados de técnicas e procedimentos. Ela apenas condiciona essa demonstração a quatro exigências — e é aí que quase todo mundo tropeça.

Na prática, o post isolado, com a melhor foto do mês e um filtro leve, é irregular. O conteúdo educativo e honesto sobre resultados é permitido. Este artigo mostra onde fica essa linha, o que usar no lugar e como revisar o que já está publicado.

A regra literal do CFM sobre imagens de resultado

A permissão está no Art. 14, II da Resolução CFM 2.336/2023. Ele autoriza demonstrar resultados de técnicas e procedimentos, desde que as condições abaixo sejam atendidas ao mesmo tempo. Não é cardápio: é lista cumulativa.

Alínea O que o CFM exige
a Texto educativo com indicações terapêuticas, fatores que influenciam possíveis resultados e descrição das complicações
b Conjunto de imagens com indicações e evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações
c Evolução para diferentes biotipos e faixas etárias
e Vedado o uso de imagem que identifique o paciente
f Vedada qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens
g Autorretratos de pacientes devem ser sóbrios, sem adjetivos que denotem superioridade

Leia de novo a alínea b. Ela exige que você mostre também o que não deu certo. Um carrossel só com casos bonitos não cumpre a norma.

A alínea f é igualmente dura. Filtro, ajuste de luz, correção de cor e recorte que favoreça o depois estão todos vedados. Trocar a iluminação entre as duas fotos já descaracteriza a comparação.

Some a isso o Art. 11, VIII, que veda expor imagens de procedimentos em tempo real, e o Art. 11, XII, que proíbe garantir, prometer ou insinuar bons resultados.

O formato educativo é permitido. O post promocional isolado não é.

Por que a proibição existe (contexto ético, não burocrático)

A 2.336/2023 substituiu a Resolução 1.974/2011 e mudou a filosofia da publicidade médica. O relator resumiu bem: antes havia só proibições, agora se professa liberdade de anúncio, com responsabilidade e sem sensacionalismo.

O problema de uma foto isolada não é estético, é informacional. Ela mostra um desfecho sem mostrar as variáveis: idade, biotipo, hábitos, resposta individual e risco de complicação. Quem vê não tem como saber se aquele resultado é possível para o próprio corpo.

Por isso o Art. 11, §2º trata como sensacionalismo o uso abusivo, enganoso ou sedutor de representações visuais. E o §3º classifica como promocional referir-se a si próprio ou às técnicas conferindo-se propriedades privilegiadas.

Há ainda um detalhe que pega muito médico de surpresa: pelo Art. 8º, §3º, a postagem de paciente que você compartilha ou reposta passa a ser considerada publicação sua. Para o quadro completo da norma, vale ler o guia da Resolução CFM 2.336/2023.

Cinco alternativas que funcionam no lugar do antes e depois tradicional

Cumprir todas as alíneas do Art. 14, II raramente cabe em um post de rede social. A boa notícia é que existem formatos que geram o mesmo interesse sem zona cinzenta.

1. Explique a técnica passo a passo

Em vez de mostrar o resultado, mostre o raciocínio. Um dermatologista pode gravar três minutos explicando o que é um peeling químico, quais camadas da pele são atingidas, quanto dura a descamação e por que o protocolo muda conforme o fototipo.

É a pergunta que o paciente digita no Google antes de procurar alguém, e a base do marketing de conteúdo para médicos: cada explicação vira uma página que trabalha por anos no site.

2. Mostre a jornada do procedimento, sem o resultado

O Art. 9º autoriza fotografias e vídeos do ambiente e da equipe, além de horários, dinâmica de funcionamento e características do local, como estacionamento, privacidade e conforto.

Na prática: um vídeo com a recepção, a sala de procedimento, a esterilização do material e a consulta de avaliação. O paciente ansioso quer saber como será o dia. Lembre do Art. 11, VIII e não transmita nada em tempo real.

3. Fale de expectativa realista e de quem não é candidato

Este é o conteúdo menos usado e um dos mais úteis. Um artigo com o título “quem não deve fazer este procedimento” filtra paciente errado e demonstra critério clínico.

Exemplo para um cirurgião plástico: as condições que contraindicam a cirurgia, o tempo de afastamento do trabalho e os casos em que a conduta correta é outra. Nada disso promete resultado, e tudo constrói confiança.

4. Use depoimento em texto, dentro dos limites do Art. 8º, §3º

O relato do paciente é permitido, desde que sem características de sensacionalismo. Funciona melhor em texto e centrado na experiência de atendimento, não no resultado clínico.

Um depoimento adequado fala de acolhimento, clareza da explicação e suporte no pós. Um problemático diz “ficou perfeita, o melhor médico do Brasil”. Pelo Art. 8º, §4º, elogios reiterados podem ser investigados.

5. Produza conteúdo educativo sobre complicações possíveis

Falar de complicação parece ruim para o marketing. É o contrário: o paciente pesquisa “riscos” antes de “preço”, e quem responde com honestidade sai na frente.

Um post explicando o que é edema esperado, o que é sinal de alerta e quando ligar para o consultório cumpre função clínica e educativa. Ele se aproxima do que a alínea a pede e vira material para o seu blog médico.

Como falar de resultado sem prometer resultado

A diferença está no sujeito da frase. Prometer é dizer o que vai acontecer com aquele paciente. Informar é descrever o que a técnica faz, em que condições e com quais limites.

Em vez de Escreva
“Resultado garantido em 30 dias” “O tempo de resposta varia conforme o caso e é avaliado em retorno”
“A técnica que rejuvenesce 10 anos” “A técnica atua sobre X e tem indicação para Y”
“O melhor tratamento para flacidez” “Entre as opções para flacidez, esta é indicada quando…”
“Transformação incrível” “Evolução dentro do esperado para este perfil”

Três hábitos mantêm o texto dentro da norma. Descreva a técnica, não a pessoa. Associe o resultado a variáveis individuais. E evite superlativo, porque adjetivo de superioridade é o que o CFM enquadra como caráter promocional.

Isso vale para o site, para o Google e para os anúncios. Um site médico bem estruturado ajuda, porque permite explicar com profundidade o que não cabe em uma legenda.

O que fazer se você já publicou

Se você tem anos de perfil com antes e depois, não precisa apagar tudo em uma tarde. Faça uma revisão organizada, do risco maior para o menor.

Primeiro, remova o que é insanável. Entram aqui as publicações em que o paciente é identificável, mesmo parcialmente: rosto, tatuagem, aliança, cenário ao fundo. Saem também as imagens com edição visível e as que prometem resultado.

Depois, avalie o que dá para adequar. Um post com imagem sóbria e sem identificação pode ser salvo com uma nova legenda, que traga indicações, fatores que influenciam o resultado e complicações. A foto fica, o texto muda.

Em seguida, transforme o acervo em conteúdo educativo. Casos parecidos viram um artigo único no site, com conjunto de imagens, biotipos diferentes e descrição honesta das evoluções. É o formato que o Art. 14, II autoriza.

Por último, escreva sua regra interna em uma página: quem aprova post e o que nunca vai ao ar. Confira também se o perfil traz nome, CRM, especialidade e RQE na página principal, como pedem o Art. 4º, II e o Art. 6º.

Perguntas frequentes

Antes e depois médico pode ou não pode?

Pode, sob condições. O Art. 14, II da Resolução CFM 2.336/2023 permite demonstrar resultados desde que haja texto educativo, conjunto de imagens com evoluções satisfatórias e insatisfatórias, diferentes biotipos e faixas etárias, sem identificar o paciente e sem edição. O post isolado e tratado não cumpre a norma.

Dermatologista pode postar antes e depois?

A regra é a mesma para todas as especialidades. O que muda é a dificuldade prática: a comparação depende de luz e enquadramento idênticos, e qualquer ajuste de imagem já viola a alínea f do Art. 14, II.

Posso publicar se o paciente autorizar por escrito?

A autorização não substitui a norma do CFM. A alínea e veda o uso de imagem que identifique o paciente, independentemente de consentimento, e as demais condições continuam valendo.

O que substitui bem o antes e depois na captação de pacientes?

Conteúdo que responde à dúvida anterior à decisão: como funciona a técnica, quem não é candidato, quais são os riscos e como é a recuperação. Esse material sustenta o posicionamento do consultório nas buscas e atrai paciente mais preparado.


Se você quer divulgar seu trabalho sem viver na dúvida sobre o que pode publicar, a ATF Marketing pode ajudar. Trabalhamos com marketing médico há mais de 20 anos, sempre dentro das regras do CFM. Fale com a gente e vamos revisar juntos o conteúdo do seu consultório.

Fabiano Ferreira

Especialista em marketing digital, atua no mercado desde 2007, quando obteve sua primeira certificação oficial do Google Ads. Fundador da ATF Marketing, é mestre em Marketing Digital (MBA), pós-graduado e graduado em Marketing pela Trevisan - Escola de Negócios, São Paulo.

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Fabiano Ferreira

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